quarta-feira, 30 de abril de 2014

O QUE É A DOENÇA DA ADICÇÃO ?



A doença da adicção hoje é reconhecida pela O.M.S. (Organização Mundial de Saúde) e classificada junto com o câncer, as doenças do coração e a diabetes como uma doença crônica que ao longo do tempo produz danos físicos, psíquicos e sociais.  Existem três aspectos que são atingidos na doença da adicção: o aspecto físico, o aspecto mental e o aspecto espiritual.  Com o uso intenso o organismo passa a metabolizar a substância como parte de seu repertório químico, ou seja, na ausência desta o organismo sente dificuldades para manter seus processos normais de funcionamento, isto é a compulsão daí o ciclo obsessivo de uso: quando não está usando está sempre pensando em como usar novamente ou uma vez usando quer cada vez mais.



Não se pode negar que, a princípio, o uso oferece grande conforto e prazer ao indivíduo mesmo porque elimina a angústia e o desconforto pois este deixa de perceber suas inabilidades para lidar com situações cotidianas.  Porém, ao invés de resolver e instrumentalizar o indivíduo para lidar com tais situações, o uso compulsivo termina por aflorar aspectos doentios: o egocentrismo (orgulho aflorado) e a perda da capacidade de amar e (baixa autoestima e insensibilidade).



Infelizmente esta doença não tem cura, mas pode ser estacionada em algum momento.  Depois de instalada é lenta, progressiva e fatal só existem três caminhos, o primeiro é aproveitar a oportunidade de fazer um tratamento com abstinência total e mudar completamente o estilo de vida, junto com a mudança de comportamento através de um programa de recuperação bem desenvolvido.  O segundo é continuar sendo irresponsável, inconsequente e insano até ira para a cadeia, o terceiro é continuar se matando aos poucos até consumar o fato, isto se não morrer antes pelas mãos de alguém.  Isto parece agressivo, mas acreditem, é a pura e cruel realidade.  E, para piorar mais ainda, voltamos a afirmar, esta doença não tem cura.  A pessoa pode até viver com qualidade pro resto da vida, mas para isto acontecer, certamente ele terá que estar sempre buscando informação e praticando um programa de recuperação (Doze Passos), porque senão, ele vai esquecer que é um doente e voltar a se enganar achando que readquiriu o controle sobre o uso e certamente recairá.



A adicção atinge as pessoas indiscriminadamente, de tal forma que, uma vez instalada, provoca a desestruturação total do ser humano e de sua família.  Os estudos mais recentes apontam para a existência de bases genéticas (casos na família e pré-disposição) e adquiridas (incentivo social, modelo familiar, curiosidade, afirmação...).  Qual é o objetivo do tratamento?  Estacionar a doença e entrar em recuperação.  Estes objetivos estão intimamente relacionados e se completam entre si.  Para que a pessoa entre em recuperação é preciso sustentar a abstinência e uma genuína e efetiva mudança no estilo de vida.  O processo permite que o dependente conscientize-se das mudanças de comportamento que precisa fazer e como viabilizá-las.  A abstinência é apenas um pré-requisito para a recuperação.  Só parar de usar não vai resolver a situação, o problema vai muito mais além, o adicto precisa mudar toda a sua maneira de viver, porque a doença atingiu todas as áreas de sua vida.  Na fase inicial de tratamento é importantíssimas a reeducação e a disciplina.  Na recuperação necessita-se de uma administração própria e para que isso aconteça, o adicto necessita aprender o máximo que puder sobre a doença e como lidar com ela.  O objetivo do tratamento é ajudar o indivíduo a desenvolver habilidades que irão apoiar a sobriedade progressiva e uma recuperação duradoura.  A família é muito importante no processo de recuperação, porque, tanto ela como o adicto também ficou disfuncional devido à doença.  Papéis, regras e rituais da família precisam ser redefinidos e reestruturados.  Habilidades de comunicação e novas atitudes devem ser aprendidos ou reaprendidos.  A co-dependência muitas vezes cria um clima de insegurança constante na família que tenta em vão compensar a falta de controle e limites do dependente mas a vantagem é que a co-dependência tem cura mas, para isto, a família também precisa se tratar, procurando ajuda nos grupos de autoajuda como, Al-anom, Nar-anom ou Amor Exigente.



A recuperação realmente é testada, a partir do momento que o indivíduo é reintegrado a sociedade, é a partir deste momento que ele vai ver a eficácia do que se dispôs a aprender e mudar, para lidar com situações que não está acostumado a enfrentar em abstinência.  Serão vários sintomas ao longo da vida difíceis de identificar, ao conjunto desses sintomas dá-se o nome de SAD (Síndrome de Abstinência Demorada), que podem surgir com meses e até anos de sobriedade e tem vários padrões, como a regenerativa  que os sintomas vão melhorando com o tempo, como a degenerativa que é o oposto, existe ainda a SAD estável que mantém o mesmo nível de sintomas e a intermitente que os sintomas vem e vão.



Para concluir vale reforçar que a adicção é uma doença crônica e que como tal requer tratamento diário e constante por toda vida, mas pode ser também um canal de retomada de valores e consciência bem como uma forma de busca e promoção de qualidade de vida.




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