A doença da adicção hoje é
reconhecida pela O.M.S. (Organização Mundial de Saúde) e classificada junto com
o câncer, as doenças do coração e a diabetes como uma doença crônica que ao
longo do tempo produz danos físicos, psíquicos e sociais. Existem três aspectos que são atingidos na
doença da adicção: o aspecto físico, o aspecto mental e o aspecto
espiritual. Com o uso intenso o
organismo passa a metabolizar a substância como parte de seu repertório
químico, ou seja, na ausência desta o organismo sente dificuldades para manter
seus processos normais de funcionamento, isto é a compulsão daí o ciclo
obsessivo de uso: quando não está usando está sempre pensando em como usar
novamente ou uma vez usando quer cada vez mais.
Não se pode negar que, a
princípio, o uso oferece grande conforto e prazer ao indivíduo mesmo porque
elimina a angústia e o desconforto pois este deixa de perceber suas
inabilidades para lidar com situações cotidianas. Porém, ao invés de resolver e instrumentalizar
o indivíduo para lidar com tais situações, o uso compulsivo termina por aflorar
aspectos doentios: o egocentrismo (orgulho aflorado) e a perda da capacidade de
amar e (baixa autoestima e insensibilidade).
Infelizmente esta doença não tem
cura, mas pode ser estacionada em algum momento. Depois de instalada é lenta, progressiva e
fatal só existem três caminhos, o primeiro é aproveitar a oportunidade de fazer
um tratamento com abstinência total e mudar completamente o estilo de vida,
junto com a mudança de comportamento através de um programa de recuperação bem
desenvolvido. O segundo é continuar
sendo irresponsável, inconsequente e insano até ira para a cadeia, o terceiro é
continuar se matando aos poucos até consumar o fato, isto se não morrer antes pelas
mãos de alguém. Isto parece agressivo,
mas acreditem, é a pura e cruel realidade.
E, para piorar mais ainda, voltamos a afirmar, esta doença não tem cura. A pessoa pode até viver com qualidade pro
resto da vida, mas para isto acontecer, certamente ele terá que estar sempre
buscando informação e praticando um programa de recuperação (Doze Passos),
porque senão, ele vai esquecer que é um doente e voltar a se enganar achando
que readquiriu o controle sobre o uso e certamente recairá.
A adicção atinge as pessoas
indiscriminadamente, de tal forma que, uma vez instalada, provoca a
desestruturação total do ser humano e de sua família. Os estudos mais recentes apontam para a
existência de bases genéticas (casos na família e pré-disposição) e adquiridas
(incentivo social, modelo familiar, curiosidade, afirmação...). Qual é o objetivo do tratamento? Estacionar a doença e entrar em
recuperação. Estes objetivos estão
intimamente relacionados e se completam entre si. Para que a pessoa entre em recuperação é preciso
sustentar a abstinência e uma genuína e efetiva mudança no estilo de vida. O processo permite que o dependente
conscientize-se das mudanças de comportamento que precisa fazer e como
viabilizá-las. A abstinência é apenas um
pré-requisito para a recuperação. Só
parar de usar não vai resolver a situação, o problema vai muito mais além, o
adicto precisa mudar toda a sua maneira de viver, porque a doença atingiu todas
as áreas de sua vida. Na fase inicial de
tratamento é importantíssimas a reeducação e a disciplina. Na recuperação necessita-se de uma
administração própria e para que isso aconteça, o adicto necessita aprender o
máximo que puder sobre a doença e como lidar com ela. O objetivo do tratamento é ajudar o indivíduo
a desenvolver habilidades que irão apoiar a sobriedade progressiva e uma
recuperação duradoura. A família é muito
importante no processo de recuperação, porque, tanto ela como o adicto também
ficou disfuncional devido à doença.
Papéis, regras e rituais da família precisam ser redefinidos e
reestruturados. Habilidades de
comunicação e novas atitudes devem ser aprendidos ou reaprendidos. A co-dependência muitas vezes cria um clima
de insegurança constante na família que tenta em vão compensar a falta de
controle e limites do dependente mas a vantagem é que a co-dependência tem cura
mas, para isto, a família também precisa se tratar, procurando ajuda nos grupos
de autoajuda como, Al-anom, Nar-anom ou Amor Exigente.
A recuperação realmente é
testada, a partir do momento que o indivíduo é reintegrado a sociedade, é a
partir deste momento que ele vai ver a eficácia do que se dispôs a aprender e
mudar, para lidar com situações que não está acostumado a enfrentar em
abstinência. Serão vários sintomas ao
longo da vida difíceis de identificar, ao conjunto desses sintomas dá-se o nome
de SAD (Síndrome de Abstinência Demorada), que podem surgir com meses e até
anos de sobriedade e tem vários padrões, como a regenerativa que os sintomas vão melhorando com o tempo,
como a degenerativa que é o oposto, existe ainda a SAD estável que mantém o
mesmo nível de sintomas e a intermitente que os sintomas vem e vão.
Para concluir vale reforçar que a
adicção é uma doença crônica e que como tal requer tratamento diário e
constante por toda vida, mas pode ser também um canal de retomada de valores e
consciência bem como uma forma de busca e promoção de qualidade de vida.
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