O
ressentimento é um grande bloqueio à recuperação, que precisa ser removido. Ele
é formado da amargura e da raiva que sentimos das pessoas ou coisas que
percebemos como ameaças a nossa segurança ou bem-estar ou que nos prejudicaram.
Se não forem removidos, nossos ressentimentos impedem nosso progresso e
crescimento.
Os
ressentimentos são o ofensor número um e muitas vezes a causa principal da
doença espiritual. Quando os relacionamos, vemos como eles afetam nosso
amor-próprio, nosso bem estar e nossos relacionamentos pessoais. O apego aos
ressentimentos causa tensão, ansiedade e incontroláveis sentimentos de raiva
que, se não forem solucionados, terão graves consequências emocionais e
físicas. Se permitirmos que nossos ressentimentos prevaleçam, uma grave
depressão poderá se desenvolver e acabar nos destruindo.
Nosso
ressentimento para com pessoas, lugares e coisas que nos magoaram mantém-nos
preocupado e limitam nossa capacidade de viver o momento presente. O
ressentimento resulta de esconder as dores amargas que ofuscam nossas vidas.
Evoca raiva, frustração e depressão. Quando nossos ressentimentos não se
desfazem, arriscamos a ter graves doenças físicas e mentais.
O
ressentimento é a causa encoberta de muitas formas de doença espiritual. Nossos
males mentais e físicos são frequentemente o resultado direto dessa condição
doentia. Sem dúvida os outros nos prejudica e temos o legítimo direito de nos
sentir ressentidos. Entretanto, isso não castiga ninguém além de a nós mesmos.
Não podemos guardar ressentimento e ao mesmo tempo encontrar a cura. A melhor
maneira de largarmos é pedir a Deus a força para esquecer o ofensor. Aprender a
lidar com o ressentimento de forma saudável é parte importante de nosso
processo de recuperação.
O
ressentimento é uma raiva crônica e eterna. Ex: “Eu perdoei, mas não esqueci!”
Perdoou coisa nenhuma! Esse fato de nossas vidas ficou gravado até hoje e nos
marcaram muito! Ficou o medo, a ferida e a mágoa do trauma, do vexame, do
insucesso, da dor e a raiva de algo ou de alguém que julgamos culpado pelo que
aconteceu.
Esse
ressentimento nos corrói sutilmente e por trás dele existe um desejo de
vingança! Ah! Se pudesse fazê-lo pagar pelo que me fez!” Este bichinho tira
nossa espontaneidade no relacionamento com essa pessoa ou, numa situação
parecida com a que nos marcou, nos fazem estar sempre com um pé atrás em
relação a ela, sempre armados contra ela, sempre contrariando suas opiniões,
mesmo que ela esteja com a razão. Sempre tentando diminuí-la perante as outras
pessoas, sutilmente influenciando todo mundo para se afastar dessa pessoa.
De
modo geral, nos tira a alegria de viver! Tornando-nos uma pessoa mesquinha,
amarga, fofoqueira, cheia de dores, desagradável, não confiável, e o amor fica
bloqueado. Se os ressentimentos forem se acumulando, vamos passar à depressão,
à solidão, a problemas físicos de saúde. No programa de 12 Passos desabafamos,
colocamos para fora os ressentimentos mais recalcados, mais antigos, para
clarear a nossa mente e nossos sentimentos. Depois disso, vamos refletir,
analisar e procurar tudo o que existe por trás do ressentimento, quais os
defeitos de caráter que ele gerou em nós e qual a verdadeira causa. Seria o
orgulho, o egoísmo, a auto-piedade, a vaidade, a vingança?
Descoberta
a causa, vamos nos trabalhar procurando, com a ajuda do Poder Superior, nos
modificar.
Ressentir-nos,
e sentirmo-nos constantemente machucados pelo sentimento que não foi por nós
analisado. É preciso encarar com coragem esse ressentimento que está escondido
por várias camadas de problemas do nosso inconsciente. Muitas vezes por
ignorância, deixamos passar e fugimos de fazer um tratamento com mais
responsabilidade. Se a gente se acomodar e não trabalhar para sanar a doença
ela vai se tornando cada vez mais dolorida e a raiva vai tomando conta de
nossas vidas.
Pode
ser uma autoproteção, um sinal aos outros que nossa frustração atingiu o
máximo, que nossa pessoa está sendo ofendida, que não aceitamos o inaceitável.
Tal como outras paixões, a raiva pode nos descontrolar; ao passo que seríamos
menos humanos se não sentíssemos, seríamos igualmente desumanos se vivêssemos
em perpétuo estado de raiva. Nós tínhamos dificuldade com a própria raiva em
demasia. Éramos uma pessoa rancorosa e pensávamos que não devíamos tolerá-la.
Mas não sabíamos como fazê-lo.
Os velhos ressentimentos e velhas
frustrações tendem a diminuir com a honestidade de viver o nosso programa de
vida, vivendo-o e aplicando-o para tornar agradável o nosso viver.
A
raiva incontrolável tinha tornado nossa vida desgovernada e muitas vezes
quisemos fazer o inventário moral de outra pessoa, esquecendo que somos
impotentes para mudar os outros, adiando assim a nossa própria recuperação. Já
nem percebíamos a nossa raiva. Nossas frustrações e rancores de tantos anos se
transformaram em desânimo e desesperança. Não tínhamos mais amor próprio,
vivíamos chorando com a raiva abafada. Já estávamos cansados de nossas próprias
lágrimas. Fomos descobrindo através do Programa, fazendo o inventário moral (4º
Passo), falando para dar vazão aos nossos rancores, passando honestamente o
resultado, aceitando a raiva e encarando-nos com coragem para analisar os
nossos sentimentos e nosso comportamento.
Os
aborrecimentos causam sentimentos feridos. Ressentimento é ameaça mortal para o
dependente químico, se não for sanado.
Ressentimento:
Sentir novamente, magoar-se com facilidade. Quando nos sentimos magoados,
percebemos que estamos sentindo algo triste novamente, algo que efetivamente
não nos “saiu” bem.
A
mágoa é um sentimento que “retorna” em forma de “ressentimento triste”. Sentir
novamente a mágoa e trazer à tona sentimentos ruins dolorosos inacabados, um
sentimento negativo de que alguma coisa poderia ser diferente, que há um
aspecto afetivo mal resolvido. Nós temos ressentimentos, mágoas e talvez por
isso sejamos inseguros “quase” sempre. Sofro de Ansiedade, o que tem muito a
ver com insegurança. Meu ressentimento, minha mágoa profunda vem da minha
família. Acredito que a sociedade foi injusta com ela. Hoje que minha insegurança
me levou a ser um indivíduo ansioso. Para combater o medo e a insegurança,
quero dizer “me defender”, agia com rudeza, arrogância, orgulho. Hoje, percebo
que em sociedade a gente usa mesmo muitas “máscaras”. Percebo também que minha
família é, em parte, responsável pelos meus problemas. Minha família tem culpa
relativa em meus ressentimentos. Eu os desenvolvi. Sou ansioso por querer
resolver tudo de uma só vez; aproveitar o que não fiz, o que tinha direito,
recuperar o tempo perdido. Ficamos ressentidos quando nossos pensamentos voltam
ao passado e sempre aos acontecimentos negativos. Percebo que não ficamos
ressentidos com os acontecimentos positivos do passado! Por quê? Acontecimentos
alegres não nos trazem ressentimentos, mágoas, ansiedades e tão pouca insegurança.
Ressentimentos
que nos levam à ansiedade são, para mim, acontecimentos tanto familiares quanto
pessoas mal resolvidos, mal acabados, que deixaram em nós marcas ou crateras
emocionais naqueles tristes, para nós, momentos passados.
Sentimo-nos
livres do ressentimento quando começamos a entender que os que nos maltrataram
também estavam doentes espiritualmente. Oferecemos a eles a tolerância e o
perdão que Deus nos concebe. Quando nos concentramos em nossos inventários no
Quarto e no Décimo Passos, esquecemos os erros dos outros e focalizamos nossas
falhas, não as dos outros.
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