A
alma humana não se contenta com uma vida de acordar e dormir, trabalhar e
divertir-se, comer e beber. É pelo sentimento de ser útil que ela se realiza.
O
que lhes faz feliz? Vocês já responderam
a essa pergunta? Já, pelo menos, fizeram
essa pergunta a si mesmos? Qual será o
caminho da felicidade que eu suspeito que vocês ainda não encontraram
plenamente na Terra, no estado de consciência em que vivem?
A
busca da felicidade não consiste em ter os bens materiais de que precisam. Há pessoas abastadas, com muito dinheiro
mesmo e que são infelizes. A felicidade
consiste em servir e ser útil.
Vocês
podem ver que quando estão fazendo algo que beneficia os outros, colhem
benefícios para si mesmos. Quando
recebem de volta o sorriso e o agradecimento das pessoas que auxiliam, o
coração se enche de felicidade. Uma
satisfação enorme preenche vocês, o sentimento de ser útil, de trocar energia,
de servir. Eu me atreveria a dizer que a
felicidade que vocês procuram na vida está em servir. Servir a propósitos mais elevados, servir à
manutenção da vida, servir desinteressadamente deixando fluir o amor
incondicional que é o alimento da vida.
As
pessoas que se alistam nessas frentes voluntárias de auxilio ao próximo não
fazem isso porque querem ser boazinhas ou por remorso, fazem porque descobriram
o prazer de servir.
Quando
vocês servem, quando auxiliam alguém de livre e espontânea vontade, por uma
motivação interna que os impele para isso, vocês estão deixando fluir o amor de
Deus e não há nada mais gratificante do que sentir-se um canal para o amor de
Deus. A sensação de estar vivo, de ser
útil e de fazer diferença no mundo compensa qualquer coisa.
Há
muitas maneiras de servir e cada um tem a sua, cada um pode encontrar a maneira
pela qual sinta-se mais vivo e participante.
Há pessoas que servem as crianças, cuidando delas, ensinando-lhe as
pequenas coisas da vida e brincando com elas.
Há os que gostam de servir aos idosos, minorando o sofrimento e a
solidão que eles sentem numa fase em que tantos sonhos ficaram para trás, em
que as dores e a decadência física apagam o brilho da vida. Há os que gostam de servir em hospitais, há
também os que servem nas escolas, os que ensinam todo tipo de coisas que faltam
aos menos favorecidos. Há os canais que
servem à humanidade na medida em que se colocam à disposição para que as
informações e orientações espirituais cheguem.
A
qualidade de um serviço se mede pelo tanto de amor incondicional que se irradia
do coração quando estão nele. A qualidade
se faz sentir também por vocês, pois quando ficam alegres, enlevados, elevados
e satisfeitos, estão realizando o seu serviço com qualidade e inteireza. Não é possível sentir isso quando se serve
por obrigação, por remorso ou por culpa.
Para servir assim, é melhor não fazer nada, pois o serviço só reavivaria
nesse caso sentimentos que vocês precisam deixar de lado. O serviço bem realizado é aquele que em
primeiro lugar satisfaz e preenche quem o realiza, pois essa é a medida do quanto o ato é
verdadeiro, espontâneo e natural como é o amor incondicional de Deus. Pode-se fazer uma coisa muito simples, varrer
um chão, lavar uma louça, catar um papel na rua, mas se há esse sentimento,
esse contentamento interior por estar servindo, então o serviço é legítimo, é
real e tão nobre quanto qualquer outro aos olhos de Deus. Filhos, a vida pode ser serviço. Serviço a vocês mesmos, às suas almas em
evolução. Na medida em que passam a
viver com alegria e leveza, motivados por um sentimento maior, vocês estão servindo
a Deus e a si mesmos. Servir não é ser
escravo, não é fazer o que os outros mandam, não é uma condenação, nem uma
humilhação, nem uma obrigação. O sentido
mais elevado de servir está em deixar essa energia de amor incondicional
perpassar vocês e isso se manifesta de diversas formas. Não importa o que se faz, importa é o
sentimento e a energia que esta sendo colocados no que se faz.
Servir: tem SER dentro dessa palavra, ser que é o
verbo afirmativo da existência, a existência que é o sinônimo de Deus e de tudo
o que vocês são. Veja que na palavra
servir há SER e VIR, VIR a SER, não é bonito?
Meditem no que é VIR a SER, peçam ajuda ao Poder Superior de vocês,
peçam que lhes aponte o caminho do serviço em suas vidas. O serviço deve começar por si mesmos, como já
disse, pelo serviço à própria alma, à própria divindade interna que deseja
manifestar-se através de vocês. Quando
se vive em serviço, não há cansaço, não há contrariedade, não há esmorecimento
da vontade. Quanto mais se serve, mais
se deseja servir, mais se deseja ampliar e perpetuar o sentimento de paz e
alegria interior que advém do serviço.
Pensem
nisso, no que podem servir, no que podem fazer a princípio por si mesmos, pela
evolução de suas consciências, e o que podem fazer pelos outros, pela
realização de Deus através dos outros. O
que podem fazer pelo seu combalido planeta, pela natureza depauperada desse
lindo orbe que habitam. O que podem
fazer para dar um novo sentido à sua vida, para preenchê-la de momentos e
satisfação. O que podem fazer para que
tenham aquele sentimento de não ver o tempo passar – quando se serve, perde-se
a noção do tempo. Perde-se também a
noção de limites entre vocês e os outros.
Há um estado de fusão, é uma coisa muito bonita e forte para se
experimentar.
Analisem
a vida de vocês e vejam o quanto existe disso, em que momentos vocês se
sentiram assim, e podem apostar que fazendo isso é que estarão servindo, que
estarão enchendo suas vidas de significado.
Disso vem a felicidade, filhos. A
alma humana não se contenta apenas em trabalhar, comer, beber, dormir,
divertir-se e levar a vida sem um propósito maior. Por isso é que tantos estão insatisfeitos e
vazios. Até mesmo os riscos, os muito
abastados, aqueles que poderiam dedicar sua vida à diversão e ao prazer – que
vocês identificam como fontes de felicidade – até eles são muitas vezes tristes
e vazios. Podem aparentar segurança,
auto-suficiência, poder e plenitude, mas no fundo são pessoas vazias.
A
vida de vocês nesse planeta está baseado no serviço a coisas externas, a
objetivos exteriores. Vocês empregam
energia nisso e ela se esvai, ela é só consumida e não voltar para vocês. É um gasto de energia pelo canal errado, um
canal que não passa pelo coração, por isso não lhes dá a sensação de preenchimento. Ricos e pobres nesse planeta chegam à
conclusão do vazio em sua vida, uns porque têm tudo e ainda tudo lhes falta,
porque encaram a tremenda frustração de ter se esforçado, de ter empregado a
vida numa busca que não levou a nada, outros porque são privados de tudo, não
puderam nem ter a chance de experimentar um pouco mais de satisfação na vida e
se sentem excluídos.
Por
isso, também é que a sexualidade é tão valorizada, tão exacerbada entre vocês,
ela é uma fonte de satisfação, mas uma satisfação apenas momentânea,
fugaz. Vocês precisam de mais e mais
experiências e alguns passam a vida em busca disso. É preciso ter cada vez mais, coisas cada vez
mais ousadas, até aberrantes, para obter novas sensações. A gula é outra fonte de busca de satisfação e
preenchimento, a paixão pela velocidade, o gosto pelo perigo que descarrega
adrenalina e leva à euforia, as drogas, o consumismo desenfreado. Tudo isso são as buscas dos seres humanos,
são formas de obterem felicidade, mas percebam que nada disso traz o sentimento
de preenchimento que procuram – enquanto aquela freirinha que serve na
periferia ou aquela dona de casa que emprega parte do tempo dela ajudando numa
creche são pessoas felizes, radiantes, estão de bem com elas mesmas e cheias de
paz.
Perguntem-se
o que lhes faz feliz, vejam no fundo do coração o que têm vontade de
fazer. Talvez não tenham experimentado
isso ainda, assim exercitem a imaginação, imagine-se em várias situações e
vejam o sentimento que vem disso.
Busquem um sentido mais elevado para suas vidas. Deixem que o Amor de Deus flua por meio de
vocês e se realizarão com isso. Isso é
servir, não importa como, cada um encontra a sua vocação.
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