A
família é fundamental para o sucesso do tratamento da dependência química.
Pensar que tudo se resolverá a partir de uma internação ou após algumas
consultas médicas é uma armadilha que não polpa a mais sincera tentativa de
tratamento.
A
dependência é um problema que se estruturou aos poucos na vida da pessoa.
Muitas vezes, levou anos para aparecer. Muitas coisas foram afetadas: o
desempenho escolar, a eficiência no trabalho, a qualidade dos relacionamentos,
o apoio da família, a confiança do patrão, o respeito dos empregados. Como
esperar, então algo presente na vida de alguém há tempo e que lhe trouxe tantos
comprometimentos desapareça de repente? Quem decide começar um tratamento se
depara com os sintomas de desconforto da falta da droga e, além disso, com um
futuro prejudicado pela falta de suporte, que o indivíduo perdeu ou deixou de
adquirir ao longo da sua história de dependência.
Todos
podem ajudar: o patrão, os amigos, os vizinhos, mas o suporte maior deve vir da
família. As chances de sucesso do tratamento pioram muito quando a família não
está por perto.
Veja
porque a família é tão importante:
O dependente muitas vezes não tem
a noção completa da gravidade do seu estado. Por mais que deseje o tratamento,
acha que as coisas serão mais fáceis do que imagina. Por conta disso, se expõe
a situações de risco que podem leva-lo de volta ao consumo.
O dependente sente a necessidade
de “se testar”, expondo-se a situações de risco para ver o seu esforço está
valendo a pena. A família deve ajuda-lo estabelecendo com o dependente regras
que ajudem a afasta-lo da recaída. Todo o tratamento começa com um mapeamento
dos fatores e locais de risco de recaída. A família deve ajudar o dependente a
evitar esses locais. Isso não deve ser feito de modo policial. Não se trata de
fiscalizar. Trata-se, sim, de chamá-lo à reflexão e a responsabilidade sempre
que esse, sem perceber ou se testar se expuser ao risco da recaída.
O dependente sente dificuldades
em organizar novas rotinas para sua vida sem as drogas. O dependente de drogas
precisa de apoio para superar as dificuldades e estabelecer um novo modo de
vida sem drogas. Vários fatores interferem nessa tarefa. A pessoa pode estar
fora do mercado de trabalho há muitos anos, desatualizada e sem contatos que
lhe proporcionem voltar em curto prazo. Pode ter saído da escola muito jovem e
agora está pouco qualificado para um bom emprego. Há dificuldade em se
relacionar com as pessoas, aguentar as frustrações, saber esperar a hora certa
para tomar a melhor atitude. A autocrítica do dependente por vezes é dura
consigo mesmo. Deixa um clima depressivo e de fracasso no ar. Isso pode fazer
com que os planos para o tratamento sejam deixados de lado.
A família no tratamento mostra
que o diálogo ainda existe. A rotina da dependência química traz ressentimentos
para todos. Muita roupa suja vai ser lavada. No entanto, é preciso entender que
se trata de uma doença. Em um primeiro momento a motivação do dependente para a
mudança e do apoio da família para mantê-lo motivado são importantíssimos. Isso
demonstra que a família ainda é capaz de se unir, conversar e resolver seus
problemas. Quando o momento de ir para o tanque chegar, todos estarão
fortalecidos e o assunto será tratado com mais ponderação e menos emoção.
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