CEBRID –
Centro Brasileiro de Informações sobre
Drogas
Psicotrópicas
Para
bom entendimento é melhor dividir os efeitos que a maconha produz sobre o homem
em físicos (ação sobre o próprio corpo ou partes dele) e psíquicos (ação sobre a
mente). Esses efeitos físicos e
psíquicos sofrerão mudanças de acordo com o tempo de uso que se considera, ou
seja, os efeitos são agudos (isto é, quando decorre apenas algumas horas após
fumar) e crônicos (consequências que aparecem após o uso continuado por
semanas, ou meses ou mesmo anos).
Os
efeitos físicos agudos são muito poucos: os olhos ficam meio avermelhados (o
que em linguagem médica chama-se hiperemia das conjuntivas), a boca fica seca
(e lá vai outra palavrinha médica antipática: xerostomia – é o nome difícil que
o médico dá para boca seca) e o coração dispara, de 60-80 batimentos por minuto
pode chegar a 120-140 ou até mesmo mais (é o que o médico chama de
taquicardia).
Os
efeitos psíquicos agudos dependerão da qualidade da maconha fumada e da
sensibilidade de quem fuma. Para uma
parte das pessoas os efeitos são uma sensação de bem-estar acompanhada de calma
e relaxamento, sentir-se menos fatigado, vontade de rir (hilaridade). Para outras pessoas os efeitos são mais para
o lado desagradável: sentem angústia, ficam aturdidas, temerosas de perder o
controle da cabeça, trêmulas, suando. É
o que comumente chamam de “má viagem” ou “bode”.
Há
ainda evidente perturbação na capacidade da pessoa em calcular tempo e espaço e
um prejuízo na memória e atenção. Assim
sob a ação da maconha a pessoa erra grosseiramente na discriminação do tempo
tendo a sensação que se passaram horas quando na realidade foram alguns
minutos; um túnel com 10 metros de comprimento pode parecer ter 50 ou 100
metros.
Quanto
aos efeitos na memória eles se manifestam principalmente na chamada memória a
curto prazo, ou seja, aquela que nos é importante por alguns instantes. Dois exemplos verídicos auxiliam a entender
este efeito: uma telefonista de PABX em um hotel (que ouvia um dado número pelo
fone e no instante seguinte fazia a ligação) quando sob ação da maconha não era
mais capaz de lembrar-se do número que acabara de ouvir. O outro caso, um bancário que lia numa lista
o número de um documento que tinha que retirar de um arquivo; quando sob ação
da maconha já havia esquecido do número quando chegava em frente ao arquivo.
Pessoas
sob esses efeitos não conseguem, ou melhor, não deveriam executar tarefas que
dependem da atenção, bom senso e discernimento, pois correm o risco de
prejudicar outros e/ou a si próprio.
Como exemplo disso: dirigir carro, operar máquinas potencialmente
perigosas.
Aumentando-se
a dose e/ou dependendo da sensibilidade, os efeitos psíquicos agudos podem
chegar até a alterações mais evidentes, com predominância de delírios e
alucinações. Delírio é uma manifestação
mental pela qual a pessoa faz um juízo errado do que vê ou ouve; por exemplo,
sob ação da maconha uma pessoa ouve a sirene de uma ambulância e julga que é a
polícia que vem prendê-la; ou vê duas pessoas conversando e pensa que ambas
estão falando mal ou mesmo tramando um atentado contra ela. Em ambos os casos, esta mania de perseguição
(delírios persecutórios) pode levar ao pânico e consequentemente, a atitudes
perigosas (“fugir pela janela”), agredir as pessoas conversando em “defesa”
antecipada contra a agressão que julga estar sendo tramada. Já a alucinação é uma percepção sem objeto,
isto é, a pessoa pode ouvir a sirene da polícia ou vê duas pessoas conversando
quando não existe quer a sirene quer as pessoas. As alucinações podem também ter fundo
agradável ou terrificante.
Os
efeitos físicos crônicos da maconha já são de maior monta. De fato, com o continuar do uso, vários
órgãos do nosso corpo são afetados. Os
pulmões são um exemplo disso. Não é
difícil imaginar como irão ficar estes órgãos quando passam a receber
cronicamente uma fumação que é muito irritante, dado ser proveniente de um
vegetal que nem chega a ser tratado como é o tabaco comum. Esta irritação constante leva a problemas
respiratórios (bronquites), aliás como ocorre também com o cigarro comum. Mas o pior é que a fumação de maconha contêm
alto teor de alcatrão (maior mesmo que na do cigarro comum) e nele existe uma
substância chamada benzopireno, conhecido agente cancerígeno; provado
cientificamente que a pessoa que fuma maconha cronicamente está sujeita a
contrair câncer dos pulmões com maior dificuldade, mas os indícios em animais
de laboratório de que assim pode ser são cada vez mais fortes.
Outro
efeito físico adverso (indesejável) do uso crônico da maconha refere-se à
testosterona. Esta é o hormônio
masculino; como tal confere ao homem maior quantidade de músculos, a voz mais
grossa, a barba, também é responsável pela fabricação de espermatozóides pelos
testículos. Já existem muitas provas que
a maconha diminui em até 50-60% a quantidade de testosterona. Consequentemente o homem apresenta um número
bem reduzido de espermatozóides no líquido espermático (medicamente está
diminuição chama-se oligospermia) o que leva
a uma infertilidade. Ou seja, o homem
terá mais dificuldade de gerar filhos.
Este é um efeito que desaparece quando a pessoa deixa de fumar a planta. É também importante dizer que o homem não
fica impotente ou perde o desejo sexual; ele fica somente com uma esterilidade,
isto é, fica incapacitado de engravidar sua companheira.
Há
ainda a considerar os efeitos psíquicos crônicos produzidos pela maconha. Sabe-se que o uso continuado da maconha
interfere com a capacidade de aprendizagem e memorização e pode induzir um
estado de desmotivação, isto é, não sentir vontade de fazer mais nada, pois
tudo fica sempre sem graça e importância.
Este efeito crônico da maconha é chamado de síndrome amotivacional. Além disso a maconha pode levar algumas
pessoas a um estado de dependência, isto é, elas passam a organizar sua vida de
maneira a facilitar o uso de maconha, sendo que tudo o mais perde o seu real
valor.
Finalmente,
há provas científicas de que se a pessoa tem uma doença psíquica qualquer, mas
que ainda não está evidente (a pessoa consegue “se controlar”) ou a doença já
apareceu, mas está controlada com medicamentos adequados, a maconha piora o
quadro. Ou faz surgir a doença, isto é,
a pessoa não consegue mais “se controlar” ou neutralizar o efeito do medicamento
e a pessoa passa a apresentar de novo os sintomas da doença. Este fato tem sido descrito com frequência na
doença mental chamada esquizofrenia.
Em
um levantamento feito entre os estudantes do 1º e 2º graus das 10 maiores
cidades do país, em 1997, 7,6% declararam que já haviam experimentado a maconha
e 1,7% declararam fazer uso de pelo menos 6 vezes por mês.
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