Ando
entusiasmado com o que vem acontecendo e com as perspectivas que
estão se abrindo para a vida afetiva e sexual. Os jovens são os
que têm nos mostrado os fatos novos de forma mais clara. Foram eles
que inventaram o 'ficar', a troca de carícias sem compromisso com um
parceiro momentâneo.
Compreendem
que o amor é algo completamente diferente do sexo e se sentem muito
bem com isso. O amor corresponde à agradável sensação de paz e
aconchego que nos preenche quando estamos na presença daquela pessoa
muito especial e bem definida – a mãe, o amigo chegado, a namorada
querida. Distinguem, sem dificuldade, a ternura típica desses casos
do jogo erótico e da excitação sexual.
Não
devemos subestimar a importância do ficar. Os adolescentes se
entretêm com práticas sexuais descompromissadas que antes somente
ocorriam entre crianças. Os rapazes têm uma oportunidade
extraordinária de conhecer as manifestações de suas parceiras e
vice-versa. Aprendem a lidar melhor consigo mesmos e também a se
relacionar com o outro sexo. (Por que temos usado a expressão “sexo
oposto”?!).
Presenciamos
a diminuição das tensões que sempre existiram entre os sexos.
Elas eram geradoras da raiva, inevitável quando as diferenças são
muito grandes e evidentes. A associação entre o sexo e
agressividade, base da tradicional guerra entre homens e mulheres,
está se dissipando. Estamos presenciando o nascimento de um
ambiente verdadeiramente unissex, uma forma de ser na qual nem os
homens irão imitar o modo tradicional feminino nem as mulheres serão
parecidos com os homens.
O
individualismo, que cresceu em decorrência do avanço tecnológico,
determinou o fim do amor romântico, em que cada um de nós é uma
metade e só se completa com o encontro da outra. Uma análise
superficial parece indicar que essa mudança é negativa, que
estaremos mais sozinhos e desamparados. Não é como tenho pensado:
ao nos conscientizarmos de que somos inteiros e não metades,
ampliamos muito a liberdade individual. Vamos aprender a estabelecer
relacionamentos em que o respeito pelas diferenças substituirá a
antiga idéia de que é necessário fazer concessões para que a vida
em comum não se destrua. O respeito mútuo diminuirá a
possessividade e o excesso de direitos, que os amantes sempre
julgaram ter sobre os amados. Estaremos criando um novo modo de
amar, baseado em sinceridade, respeito, afinidades e genuína
igualdade entre os sexos. Tenho chamado esse amor de mais amor, mais
do que amor.
As
novas vivências sexuais permitem a fim da hostilidade entre os
sexos, e isso facilita ainda mais o estabelecimento desse modo de
amar. Uma boa relação amorosa cria ótimas condições para um
convívio sexual mais rico ainda. Penso que homens e mulheres serão,
pela primeira vez, grandes parceiros no século que se inicia.
Apenas um alerta: quem quiser usufruir de tudo isso terá que crescer
muito interiormente e não deverá descuidar da indispensável e
exigente tarefa de aprimorar ao máximo o autoconhecimento.
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