Especialistas
em drogadição destacando-se Eduardo Kalina criaram a designação
de “Síndrome de Popeye”.
Quando
um personagem de ficção chega a ter êxito passa a ser um ídolo
como foi o caso de Popeye o Marujo, o que significa que de uma ou
outra forma canaliza, através de mecanismos de identificação
projetiva de massa, uma fantasia que atinge de forma global uma
multidão de fãs.
No
caso de Popeye o Marujo passamos a viver através de nossas fantasias
uma onipotência latente.
No
caso do Popeye o Marujo fascinado pela fórmula mágico-onipotente de
comer espinafre de modo que em frações de segundos derrotava os
mais terríveis facínoras pela força que adquiria na ingestão do
espinafre como forma de obter as forças necessárias para realizar
as suas inéditas proezas.
Na
época mães de crianças resistentes para se alimentarem usavam as
façanhas do Popeye para induzi-las a comerem de maneira até
exagerada espinafre.
A
modalidade oral por onde entram os alimentos têm seu fundamentos
psicológicos e sociais numa fase da vida, na qual o alimento oriundo
do seio de sua mãe, isto é o ato da amamentação tornou-se
instrumento mágico onipotente que acalmava diante das angustias da
sua vida extra-uterina. Daí o fato de que crianças mal resolvidas
podem fazer o uso do seio materno até a idade de seis ou mais anos,
o que evidencia a mãe neste fenômeno tido como mágico-onipotente
da concepção da observação externa, porém o que demonstra a mãe
no ato de amamentar é uma força real representado fisicamente pelo
elemento leite e emocionalmente pelo seu calor afetivo que aliviam a
angustia, que não pode ser verbalizada pelo recém-nascido que
quando sente fome ou mesmo sem senti-la diante de qualquer sentimento
de angustia choraminga para solicitar o seio materno.
A
magia do personagem Popeye apela esta impressão com o fortalecimento
da memória mediante processos artificiais auxiliares, como, por
exemplo a associação daquilo que deve ser memorizado com dados
conhecidos ou vividos; combinações e arranjos; imagens etc.
Dessa
forma ensina a criança no valor nutricional de grande alimento que ó
o leite materno. A criança entende esta linguagem não como uma
mensagem emitida num código simbólico, porém em termos de uma
linguagem concreta, isto é, de uma equação simbólica. O objetivo
não representa o simbolizado, e sim é o simbolizado.
Comer
espinafre na explicação da “Síndrome de Popeye”, não
representa a mensagem de que se alimentar bem ajuda a sermos
saudáveis, mas sim comer espinafre é tornar-se imediatamente um
poderoso, transformando-se de forma mágica num personagem ideal
mediante o recurso psicológico da identificação projetiva de
massa.
Segundo
o enfoque psicanalítico Kleiniano, seria uma identificação
projetiva de massa num objeto interno (internalizado) e idealizado,
isto é uma construção narcisista. O símbolo se confunde com o
simbolizado.
Relacionando
o drogadicto com a “Síndrome de Popeye”, vive de forma parcial e
total a ilusão de pelo consumo da droga que para Popeye era o
espinafre, representa de forma concreta a onipotência e lhe permite
viver uma ilusão transitória de ser o outro que de fraco e medroso
torna-se poderoso e corajoso.
Daí
passa a ter a vivência de “de quando o desejar” junto com a
crença mágica de que esta falácia é dominadora, sendo reversível
quando assim o desejar. Em outras palavras o adicto tenta viver de
forma narcisista uma ilusão, interpretando concretamente aquele
refrão que diz “de fantasia também se vive”.
O
usuário de droga não reconhece o adicto que ele representa isto é
o escravo da droga que com a ilusão infantil de chegar a um Popeye,
que se tornava poderoso ao consumir o espinafre e lamentavelmente não
imagina que vai se tornar de forma crescente um ser deteriorado, em
última análise um impotente fisico, sexual psicológico e social.
A
drogadição como “Sindrome de Popeye” é o contrario da
liberdade, pois que significa submeter-se a uma trágica escravidão
e que de certa forma traça um futuro de grandes desilusões.
Mas,
pelo fato de a cocaína bloquear em níveis pré sinápticos, a
recaptura das catecolaminas (dopamina e noradrenalina) e
recentemente, a isso se acrescentou que o mesmo ocorre com a
serotonina, ela possibilita a oferta de um excesso de
neurotransmissores no espaço inter-sináptico à disposição dos
receptores pós sinápticos, fato biológico cuja correlação
psicológica é de uma sensação de grandeza, euforia, prazer,
aumento da libido surgindo daí a “Sindrome de Popeye”, numa
analogia dessa droga com o espinafre do marujo das histórias em
quadrinhos.
Outros
autores em lugar do Popeye analisam a figura de Asterix um personagem
mais contemporâneo ao Popeye.
Eduardo
Kalina
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