segunda-feira, 11 de maio de 2015

SÍNDROME DE POPEYE

Especialistas em drogadição destacando-se Eduardo Kalina criaram a designação de “Síndrome de Popeye”.

Quando um personagem de ficção chega a ter êxito passa a ser um ídolo como foi o caso de Popeye o Marujo, o que significa que de uma ou outra forma canaliza, através de mecanismos de identificação projetiva de massa, uma fantasia que atinge de forma global uma multidão de fãs.

No caso de Popeye o Marujo passamos a viver através de nossas fantasias uma onipotência latente.

No caso do Popeye o Marujo fascinado pela fórmula mágico-onipotente de comer espinafre de modo que em frações de segundos derrotava os mais terríveis facínoras pela força que adquiria na ingestão do espinafre como forma de obter as forças necessárias para realizar as suas inéditas proezas.

Na época mães de crianças resistentes para se alimentarem usavam as façanhas do Popeye para induzi-las a comerem de maneira até exagerada espinafre.

A modalidade oral por onde entram os alimentos têm seu fundamentos psicológicos e sociais numa fase da vida, na qual o alimento oriundo do seio de sua mãe, isto é o ato da amamentação tornou-se instrumento mágico onipotente que acalmava diante das angustias da sua vida extra-uterina. Daí o fato de que crianças mal resolvidas podem fazer o uso do seio materno até a idade de seis ou mais anos, o que evidencia a mãe neste fenômeno tido como mágico-onipotente da concepção da observação externa, porém o que demonstra a mãe no ato de amamentar é uma força real representado fisicamente pelo elemento leite e emocionalmente pelo seu calor afetivo que aliviam a angustia, que não pode ser verbalizada pelo recém-nascido que quando sente fome ou mesmo sem senti-la diante de qualquer sentimento de angustia choraminga para solicitar o seio materno.

A magia do personagem Popeye apela esta impressão com o fortalecimento da memória mediante processos artificiais auxiliares, como, por exemplo a associação daquilo que deve ser memorizado com dados conhecidos ou vividos; combinações e arranjos; imagens etc.

Dessa forma ensina a criança no valor nutricional de grande alimento que ó o leite materno. A criança entende esta linguagem não como uma mensagem emitida num código simbólico, porém em termos de uma linguagem concreta, isto é, de uma equação simbólica. O objetivo não representa o simbolizado, e sim é o simbolizado.

Comer espinafre na explicação da “Síndrome de Popeye”, não representa a mensagem de que se alimentar bem ajuda a sermos saudáveis, mas sim comer espinafre é tornar-se imediatamente um poderoso, transformando-se de forma mágica num personagem ideal mediante o recurso psicológico da identificação projetiva de massa.

Segundo o enfoque psicanalítico Kleiniano, seria uma identificação projetiva de massa num objeto interno (internalizado) e idealizado, isto é uma construção narcisista. O símbolo se confunde com o simbolizado.

Relacionando o drogadicto com a “Síndrome de Popeye”, vive de forma parcial e total a ilusão de pelo consumo da droga que para Popeye era o espinafre, representa de forma concreta a onipotência e lhe permite viver uma ilusão transitória de ser o outro que de fraco e medroso torna-se poderoso e corajoso.

Daí passa a ter a vivência de “de quando o desejar” junto com a crença mágica de que esta falácia é dominadora, sendo reversível quando assim o desejar. Em outras palavras o adicto tenta viver de forma narcisista uma ilusão, interpretando concretamente aquele refrão que diz “de fantasia também se vive”.

O usuário de droga não reconhece o adicto que ele representa isto é o escravo da droga que com a ilusão infantil de chegar a um Popeye, que se tornava poderoso ao consumir o espinafre e lamentavelmente não imagina que vai se tornar de forma crescente um ser deteriorado, em última análise um impotente fisico, sexual psicológico e social.

A drogadição como “Sindrome de Popeye” é o contrario da liberdade, pois que significa submeter-se a uma trágica escravidão e que de certa forma traça um futuro de grandes desilusões.

Mas, pelo fato de a cocaína bloquear em níveis pré sinápticos, a recaptura das catecolaminas (dopamina e noradrenalina) e recentemente, a isso se acrescentou que o mesmo ocorre com a serotonina, ela possibilita a oferta de um excesso de neurotransmissores no espaço inter-sináptico à disposição dos receptores pós sinápticos, fato biológico cuja correlação psicológica é de uma sensação de grandeza, euforia, prazer, aumento da libido surgindo daí a “Sindrome de Popeye”, numa analogia dessa droga com o espinafre do marujo das histórias em quadrinhos.

Outros autores em lugar do Popeye analisam a figura de Asterix um personagem mais contemporâneo ao Popeye.

Eduardo Kalina



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